REVISTA ANEFAC

Edição 191 Março, Abril, Maio


ANEFAC Especial 50 anos

 Entre passado, presente e futuro, 50 anos de ANEFAC

Associação que começou como um braço internacional, restrita a poucos profissionais, hoje reúne 1,6 mil associados – uma trajetória de evolução, marcada por continuidade, persistência e consistência, que formam a base de um futuro promissor

 

Por Paula Caires

 

A televisão em cores era ainda uma raridade para poucos. O telefone nem teclas tinha. E o celular só teria sua primeira versão, exclusivamente comercial e muito longe do que conhecemos hoje, 50 anos mais tarde. Era 1968, conhecido como o ano que não terminou, quando a história da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC) começou.

 

Muita coisa mudou e outras tantas já nem existem mais, enquanto a ANEFAC traz em sua história um misto entre essas duas faces. Seu nome original, National Accounting Association (NAA), já não a define. As reuniões em inglês, restritas a poucos profissionais da área de controladoria, também já não fazem mais parte de sua atuação. Mas o intercâmbio de ideias e estudos com a comunidade internacional de executivos continua por meio da associação ao Institute of Management Accountants (IMA), dos Estados Unidos, assim como sua força em congregar profissionais, de forma ainda mais ampla. E, tal como na história, cada momento serviu de degrau para a evolução da entidade, que hoje é uma das mais influentes do País. Cada ação, ano e presidente foi um passo a mais nessa trajetória de crescimento e consolidação marcada pela cultura da continuidade, persistência e consistência.

 

Ao atingir a maioridade, veio a consolidação de uma mudança natural e gradativa: o novo nome. “Já éramos procurados por áreas afins, então resolvemos ampliar o foco de atuação integrando administração e finanças, além de nacionalizar o nome para dar à entidade maior abrangência no País”, lembra Clóvis Ailton Madeira, sócio desde 1987. Segundo ele, a decisão foi motivada também pela mudança da NAA americana para IMA, mas acabou sendo um marco para estratégia de crescimento. “Estávamos discutindo o futuro da entidade e concluímos que ela tinha que abrir seus horizontes para que pudesse prosperar a longo prazo. Senão, estaríamos fadados a ficarmos pequenos para toda a vida”. O objetivo foi atingido e dos cerca de 50 associados da época, hoje são mais de 1,6 mil, além dos mais de 4 mil executivos que participaram dos quase 200 eventos realizados, somente em 2017. Para José Ronoel Piccin, que foi presidente em dois períodos (de 1982 a 1984 e de 2004 a 2006), os eventos são, justamente, um destaque da Associação, pois reúne pilares históricos de sua atuação: networking e conhecimento. E foi também em 1987 que essa trajetória ganhou novo patamar, com a realização da primeira reunião técnica, introduzida por Charles B. Holland, presidente de 1984 a 1986 e de 1994 a 1996.

 

O aniversário de 18 anos foi ainda mais simbólico, com a criação do Prêmio Profissional do Ano. Como lembra Madeira, que também foi presidente de 1992 a 1994, no início era eleito um profissional que se destacava em algum segmento de atuação, tanto na área empresarial, quanto na acadêmica. Depois, passou-se a homenagear um profissional e um destaque. Nos últimos anos, resolveu-se fazer algo mais direcionado, elegendo três profissionais, sendo um de cada área representada pela entidade (administração, finanças e contabilidade). E este ano, mais uma novidade: uma quarta categoria, voltada para um destaque em inovação, criatividade e empreendedorismo. “Pode ser um profissional de qualquer área, pois tem a ver com desenvolvimento de negócios, em termos mais amplos, além de ser uma forma de ampliar o diálogo e o relacionamento com outras áreas”, explica Madeira.

 

A década de 1990

           

O País tinha acabado de passar por um processo de redemocratização, com as eleições diretas realizadas em 1989, após 25 anos de ditadura militar, e começava uma fase de superação e crescimento, cujo grande marco foi a implantação do Plano Real, em 1994, visto por muitos como o grande trunfo de Fernando Henrique Cardoso nas eleições presidenciais.

 

Na esfera estadual, os candidatos a governador de São Paulo se reuniam em um debate promovido pela ANEFAC, que já ocupava papel de destaque no cenário econômico, agora com a sede própria que unificava Rio de Janeiro e São Paulo. O feito foi registrado pela Revista ANEFAC, cuja primeira edição foi veiculada em 1990, servindo, desde então, como porta-voz e disseminadora das principais realizações e conquistas da Associação. “Por meio de patrocínio de uma importante instituição financeira da época, conseguimos viabilizar a ideia, pois um informativo já não era mais suficiente para as nossas atividades”, orgulha-se Roberto Vertamatti, presidente de 1988 a 1990.

 

Assim, a ANEFAC seguia o ritmo do País com uma série de novidades. Na esfera econômica, a principal delas foi a primeira pesquisa sobre juros do Brasil, um projeto encabeçado pelo então diretor Miguel José Ribeiro de Oliveira, em 1995, que se tornaria presidente de 2003 a 2004. Trata-se do primeiro estudo feito no setor após o Plano Real ter eliminado a inflação e o País ter conquistado a estabilidade econômica. “Ele insistiu e conseguiu fazer a pesquisa, que evoluiu e segue até hoje, sendo responsável pelo grande espaço que a Associação ganhou na mídia, posicionando-se como importante fonte de informação. Somente uma década depois é que o Banco Central realizou sua primeira pesquisa”, orgulha-se Vertamatti, associado desde 1982. O jornalista Joelmir Beting (1936 – 2012) foi um dos grandes nomes da imprensa que destacou as primeiras edições, demonstrando as distorções provocadas pelos juros elevados e as graves irregularidades contidas nos anúncios dos juros.

 

Se na esfera econômica o grande destaque da década foi a pesquisa, na esfera político-legal o Troféu Transparência exerceu forte influência. “Foi um feito inédito. Só existiam premiações de Miss Brasil e Miss Universo e nós criamos o Miss Balanço”, brinca Piccin.

 

Com o objetivo de reconhecer e homenagear publicamente as companhias que possuem mais clareza na divulgação das suas demonstrações financeiras, o Troféu Transparência foi criado em 1997. “Foi uma brilhante ideia de Álvaro Ricardino”, destaca Madeira. Com a avaliação técnica da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) - órgão de apoio institucional ao Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) e o incentivo da Serasa Experian, a comissão julgadora avalia as práticas de transparência nas informações contábeis publicadas ao mercado por meio das demonstrações financeiras. Na oitava edição, o Troféu Transparência passou a ter duas categorias: empresas de capital aberto e empresas de capital fechado. Atualmente, dividi-se em Companhias com Receita Líquida acima de R$ 5 bilhões e Companhias com Receita Líquida de até R$ 5 bilhões. 

 

O evento de maior representatividade da entidade também teve início na década de 1990. A primeira edição foi realizada em Barra Bonita/SP, reunindo em média 500 executivos das áreas financeira, administrativa e contábil, além de advogados, professores e estudantes, que têm acesso às principais tendências, soluções, conceitos e práticas por meio de palestras, entrevistas e painéis de discussão, além do networking, que integra seus familiares em uma programação paralela de lazer.

 

O futuro

 

Para Vertamatti, o futuro traz ainda mais oportunidades. “Em um mundo de disruptura, há um novo espaço que a Associação pode ocupar. Teremos cada vez mais postos de trabalho sem carteira assinada, em formatos de projetos, autônomos, terceirizados, que evidenciarão a crescente busca por educação continuada, especialmente cursos a distância. E nós estamos preparados para seguir esse caminho junto às novas gerações”, orgulha-se ele, como quem antecipa novidades breves. “Fomos uma das primeiras Associações a usar as redes sociais, o que já sinaliza nosso empenho em estarmos preparados para esse mundo em constante mudança, cada vez menos hierárquico e mais sectário”, acrescenta.

 

Pra quem já chegou ao marco de meio século, ultrapassando, adaptando-se e fazendo a diferença em um País cheio de mudanças, por meio de consistência e persistência para fazer frente a um mundo repleto de efemeridades, os desafios intrínsecos às mudanças devem ser apenas mais uma forma de fortalecimento. Como demonstra o tema do 20º Congresso, esse futuro já começou: Inteligência Artificial - impacto social, econômico e político. Então, que venham mais 50!

 

Meio século em 11 atos 

1968 – Fundação da NAA (National Accounting Association) Brasil, restrita a um grupo seleto de executivos

1986 - Mudança de nome para ANEFAC (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), integrando novas áreas que já faziam parte do dia a dia da entidade e nacionalizando oficialmente a operação

1986 – Criação do Prêmio Profissional do Ano, atualmente um dos destaques da Associação, reconhecendo e homenageando quatro profissionais

1986 – Início das reuniões técnicas, que hoje são destaque na operação da entidade

1990 – Primeiro exemplar da Revista ANEFAC

1994 - Compra da sede, em São Paulo, que possibilitou a unificação com o Rio de Janeiro

1994 – Realização do debate com os principais candidatos ao governo do Estado de São Paulo

1995 – Realização e publicação da primeira pesquisa sobre juros do País – uma ideia de Miguel José Ribeiro de Oliveira

1997 – Criação do Prêmio Transparência – ideia de Álvaro Ricardino, reconhecimento às boas práticas que hoje funciona como um atestado de qualidade e projeção nacional





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