REVISTA ANEFAC

Edição 191 Março, Abril, Maio


Carreira

Em transformAção

 

Novas tecnologias ditam grandes mudanças no mercado global, em que empresas, líderes e colaboradores precisam estar engajados na busca contínua por conhecimentos

 

Por Paula Caires

 A automação e a robotização devem eliminar várias profissões. A estimativa da consultoria Ernst & Young é que pelo menos dez estejam extintas até 2025. O McKinsey Global Institute prevê que até um terço dos trabalhadores dos Estados Unidos e da Alemanha, e quase metade dos japoneses, poderão ter de mudar de ocupação até 2030.

             Ao olhar para traz, é possível ver que a história se repete e o impacto da tecnologia já é visível. A chegada do aplicativo Uber é o exemplo mais emblemático, mas mudanças profundas também já acometeram outras atividades, como a contabilidade, que teve de se adaptar ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), sistemas integrados em nuvens e automatização.

 Estar em dia com essas inovações e em um processo constante de atualização, portanto, não é mais uma opção, mas sim a decorrência de uma escolha anterior: estar ativo no mercado de trabalho.

 Essa foi a escolha de mais de 90% dos profissionais da AfixCode – Soluções em Controle Patrimonial -, que começou a oferecer cursos gratuitos. Em três anos, o sucesso da iniciativa ultrapassou os muros da empresa e chegou até os clientes.

 Segundo a gerente de Marketing Laura Oda, o índice de satisfação da empresa, que já possuía a certificação ISO 9001, passou de 87% para 93%. A satisfação entre os colaboradores também é destacada. “Somos bem elogiados pelo público interno, que, ainda hoje, se inscreve para fazer os cursos que oferecemos ao mercado e participa mesmo aos finais de semana”. Atualmente, são cinco cursos regulares, além de outros pontuais que se tornaram, inclusive, mais uma forma de rentabilização.

 Qualidade para o cliente final, satisfação do cliente interno e maior competividade são só alguns dos ganhos. Por ter tamanha relevância, o tema é pauta de pesquisas de gigantes globais, como a francesa Capgemini e a japonesa Fujitsu, além de integrar o planejamento de grandes empresas, a exemplo da AT&T. Conforme traz a matéria do Financial Times, publicada pelo Valor Econômico de 15 de fevereiro deste ano, “a empresa americana possui uma força de trabalho em processo de envelhecimento treinada para manter roteadores e interruptores – mas esses profissionais estão sendo substituídos por sistemas controlados por softwares”.

 Para superar as habilidades que se tornam obsoletas em sua força de trabalho, foi criado um programa, que inclui cursos online, sistema de reembolso de valores investidos em formação e um mestrado, realizado pela companhia de ensino online Udacity, em conjunto com o Georgia Institute of Technology. A empresa de telecomunicações também tem um painel de controle onde constam os caminhos de carreira e os cursos indicados para cada trajetória. Para o CEO Randall Stephenson, quem não passar de cinco a dez horas por semana estudando e se atualizando vai se tornar obsoleto.

Após quatro anos de sua implantação, esse pode ser considerado um case de sucesso, mas chegar a esse resultado traz muitos desafios. Dos mais de 1,6 mil líderes empresariais entrevistados em 13 países na Europa, Ásia, Oceania e América, 33% afirmaram já ter cancelado um projeto de transformação digital nos últimos dois anos com um custo aproximado de R$ 1,6 milhão, enquanto 28% já tiveram um projeto malsucedido, com valor de aproximadamente R$ 2,1 milhões. Para Nilton Hayashi da Cruz, diretor do Digital Transformation Center (em tradução livre, Centro de Transformação Digital), essa cultura de aversão ao erro é outro ponto crucial, pois o erro é inerente ao processo.

 A pesquisa da Fujitsu parte da premissa de que a transformação digital demanda ações quanto a: Pessoas, Ações, Colaboração e Tecnologia. Em pessoas, o ponto mais sensível é a ausência de habilidades digitais, apontada por 70%. Em menor escala, foi a observação e a sensibilidade que evidenciaram o impacto dessa deficiência. Assim, o diretor da Faculdade Arnaldo (Belo Horizonte/MG), João Guilherme Porto, criou um curso gratuito de informática para os colaboradores após um deles, da equipe de manutenção, ser desclassificado para uma vaga de porteiro por não saber usar o computador.

 Segundo Cruz, o desafio é ainda maior porque “o ser humano é avesso a mudanças e há, ainda, uma relação com a idade, uma vez que as novas gerações sentem mais necessidade de mudar e até certa inquietude”. Em resposta, as empresas investem em equipes e treinamentos (56%), recrutamento de novos profissionais (46%) e compartilhamento de conhecimentos da empresa (39%). Nesse ponto, Cruz destaca: “90% já têm algum projeto de transformação digital, mas muitos são restritos a áreas ou departamentos”.

 A cultura também foi um dos pontos destacados pela pesquisa da Capgemini, que ouviu 753 empregados e 501 executivos em níveis de diretoria ou superiores em grandes empresas. Para 62% dos entrevistados, a cultura corporativa é um dos maiores obstáculos.

 O levantamento mostra, ainda, a desconexão entre as visões de líderes e liderados: enquanto 40% dos executivos do alto escalão acreditam que seus negócios já dispõem de uma cultura digital, apenas 27% dos empregados concordam.

 A integração e participação ativa dos empregados são decisivas. Mas o estudo mostra que as empresas estão falhando na tentativa de engajá-los: mais da metade da amostra afirma que os programas de capacitação não são úteis e 45% os descreveram como “inútil e chato”.

 Segundo o CEO da produtora de conteúdo para capacitação MBA 60, Cláudio Bacal, “as pesquisas mostram que em 2020 mais de 50% do ensino formal será por meios digitais e à distância, mas enxergo, ainda, baixo engajamento, especialmente dos públicos acima de 50 anos, que, geralmente, têm resistência a alguns formatos digitais”. Pela questão da resistência, para esse público o especialista indica cursos on-line, com o apoio de materiais físicos ou, no máximo, e-books, como porta de entrada. “São formatos que ‘transportam’ os conteúdos da sala de aula convencional para o computador. Nem sempre são eficientes ou engajadores, mas geram conforto, pois não tiram as pessoas de ambientes que elas conhecem de forma excessivamente rápida”. Além disso, “somos movidos pelo prazer ou pela dor e um desses elementos precisa estar presente. Um exemplo de dor seria: se eu não aprender um determinado assunto, perderei clientes, o emprego ou ganharei menos dinheiro. E um de prazer seria: a cada conhecimento adquirido, eu pontuo para um programa de cargos e salários”.





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