REVISTA ANEFAC

Edição 191 Março, Abril, Maio


Inteligência Artificial

Os impactos da Inteligência Artificial nas

áreas financeira e de controladoria

 

Estudo realizado pela Accenture revela que a IA. é o novo fator de produção e tem potencial para gerar novas fontes de crescimento. A previsão é de que as taxas sejam duplicadas até 2035 e a produtividade da força de trabalho aumente em até 40%

 

Por Érica Marcondes

 

Enquanto alguns pesquisadores preveem que a automação conduzida pela Inteligência Artificial pode afetar 49% das atividades de trabalho e eliminar cerca de 5% dos empregos, um novo estudo do IDC/Salesforce aponta que até 2021, atividades de CRM habilitadas pela IA poderiam aumentar as receitas de negócios globais em US$ 1,1 trilhão e criar 800 mil novos empregos – superando os perdidos para a automação.

A verdade é que IA tem provocado sensações ambivalentes. Na opinião de Leonardo Dias, CDO da Semantix, empresa especializada em Big Data, Inteligência Artificial, Internet das Coisas e Análise de dados, “a inteligência artificial precisa a todo momento ser alimentada de dados, de maneira que novas profissões devem surgir para gerar essas informações necessárias para os negócios. Muitas pessoas precisarão se reinventar”.

Para ele, a transformação digital é um caminho inevitável para o segmento de Administração, Contabilidade e Finanças, uma vez que é cada vez mais difícil para os administradores, contadores e financistas encontrar todas as variáveis que determinam o futuro de um negócio. Cada vez mais será necessário a criação de modelos e algoritmos capazes de fazer as predições necessárias que permitam que todos eles possam tomar decisões mais rapidamente.

            Atualmente, a maioria das empresas do setor financeiro já utiliza a inteligência artificial para economizar tempo, reduzir custos e agregar valor. Alguns robôs são capazes de rastrear a atividade da conta, analisar e entender como os titulares gastam, investem e tomam decisões financeiras, para que possam personalizar os conselhos que dão a seus clientes.

Nos EUA, sete principais bancos comerciais priorizaram o avanço tecnológico estratégico, investindo em aplicativos de I.A. para melhor atender seus clientes, melhorar o desempenho e aumentar a receita. Por exemplo, a plataforma de Inteligência de Contrato (COiN), do JPMorgan Chase, usa software de reconhecimento de imagem para analisar documentos legais e extrair pontos e cláusulas de dados importantes em segundos, em comparação com as 360.000 horas necessárias para revisar manualmente 12.000 contratos anuais de crédito comercial.

 

Filtrando informações e analisando o sentimento

As empresas de serviços financeiros podem usar a IA para detectar o sentimento da marca a partir de mídias sociais e dados de texto, medi-los e transformá-los em conselhos acionáveis. A análise de sentimentos auxilia na classificação avançada de dados textuais (por exemplo, para conformidade). Estas seriam aplicações relativamente novas de inteligência artificial, particularmente na arena das finanças.

            De fato, os sistemas de IA são um recurso extraordinariamente valioso nas finanças. Bancos e startups implementam-na para detectar fraudes. As empresas de gerenciamento financeiro usam algoritmos para criar e gerenciar portfólios de clientes. Segundo a BBC, atualmente as máquinas gerenciam a maior parte das atividades de Wall Street. Os tempos de negociação foram reduzidos de segundos para milissegundos.

Se você já foi contatado por seu banco sobre uma transação questionável, a dica pode ter vindo de um algoritmo. Em um processo chamado mineração de dados, essas IAs são capazes de vasculhar dados de forma a identificar padrões e problemas que possam significar atividade fraudulenta.

Os fraudadores deixam “pegadas” que podem ajudar os sistemas a reconhecer suas manobras. Por exemplo, em determinados países e hora do dia, o risco de uma transação fraudulenta pode aumentar. Dessa forma, o sistema gera alertas que fazem com que a IA marque a transação como questionável, e a partir desses dados, desenvolve uma “pontuação de risco”.

Embora o sistema funcione de forma independente, o treinamento inicial é guiado por humanos. Aliás, um estudo de Previsões para 2018 realizado pela PwC concluiu que funcionários experientes em inteligência artificial não precisam saber apenas como escolher o algoritmo correto e alimentar dados em um modelo de IA. Eles também terão que interpretar os resultados; precisam saber quando deixar o algoritmo decidir e quando entrar em cena.

A pesquisa também ressalta que a maioria das organizações prefere estabelecer limites colocando equipes específicas no comando de determinados domínios ou projetos e atribuindo um orçamento de acordo. Mas a inteligência artificial exige que equipes multidisciplinares se unam para resolver um problema. Depois disso, os membros da equipe passam para outros desafios, mas continuam monitorando e aperfeiçoando o primeiro, diz o estudo da PwC.

 

Novos rumos na Contabilidade

            Um levantamento realizado pela Atherton Research, empresa global de pesquisa e consultoria em tecnologia, com sede no Vale do Silício, aponta que, até 2020, as tarefas contábeis – e também impostos, folha de pagamento, auditorias e serviços bancários – serão totalmente automatizadas usando tecnologias baseadas em I.A.

A pesquisa também testou os recursos de automação de quatro soluções de contabilidade em nuvem mais avançadas disponíveis no mercado hoje (OneUp, QuickBooks Online, SageOne e Xero) e avaliou a precisão de seus mecanismos de I.A. para reconhecer automaticamente as transações provenientes de feeds bancários, gerando a contabilidade correta sem qualquer intervenção do usuário. O OneUp provou ser o mais eficaz, com uma taxa de índice de automação de 95% após cinco meses de uso, seguido por QuickBooks Online (77%), Xero (38%) e SageOne (30%).

            “Apesar de ser muito promissora, a precisão dos algoritmos de aprendizado de máquina usados ??na maioria das soluções atuais ainda precisa melhorar significativamente a eficiência para evitar erros de contabilidade e realmente cumprir sua promessa de automação”, disse em entrevista à revista Forbes, o vice-presidente e principal analista na Atherton Research, Jean Baptiste Su.

A FloQast, uma startup de software de contabilidade com sede em Los Angeles, prevê que os departamentos de contabilidade em geral serão reduzidos e os funcionários poderão se concentrar em iniciativas mais estratégicas, como melhoria de processos, controle de custos e otimização de capital. Segundo a companhia, a Inteligência Artificial já está começando a automatizar tarefas tediosas, como a entrada de dados. A automação está ocorrendo no nível da equipe, mas aumentará a escala corporativa e começará a automatizar os trabalhos contábeis de nível superior.

            Na opinião de executivos da KPMG, a inteligência artificial aumenta a qualidade da auditoria, uma vez que ela permite fazer muito mais perguntas, melhorando a eficiência do que é feito e fornecendo mais insights. A Big Four, inclusive, está trabalhando com o IBM Watson, uma das mais avançadas plataformas de tecnologia de inteligência artificial disponíveis. Ele funciona usando processamento de linguagem natural e aprendizado de máquina para revelar insights e informações de grandes quantidades de dados não estruturados.

            “O uso da tecnologia IBM Watson pela KPMG vai ajudar a avançar a capacidade da nossa equipe de analisar e agir sobre dados financeiros e operacionais tão essenciais para a saúde das organizações e dos mercados de capitais”, afirma Claudio Soutto, Sócio de IT Advisory da KPMG para a América Latina.

A KPMG possui um centro de excelência nos Estados Unidos para a realização de pesquisas e verificou seis grandes mudanças que representam as disrupções desta Revolução Industrial. São elas o Digital Labor, que foca principalmente na robotização de diversas indústrias; Omni Enterprise, que foca nas necessidades do cliente; e Internet das Coisas, conceito que está cada vez mais popular e que permeia diversos setores das rotinas atuais. Mas também podemos destacar o Cloud Computing, Continuous Delivery e Block Chain.

 

Nanocertificações: boa opção para quem quer se reinventar

 Outro conceito importante que faz parte deste novo momento tecnológico que estamos vivendo diz respeito às nanocertificações. Segundo o CDO da Semantix, Leonardo Dias, o conceito surgiu da Udacity, uma edutech já conhecida que criou o modelo. São graduações profissionais de período curto, em que cada aluno precisa concluir alguns projetos para poder se graduar. “Para inteligência artificial, um tema que era exclusivo de pesquisa científica e agora está se tornando uma habilidade profissional estratégica, é interessante, já que permite que muitos profissionais se reinventem rapidamente e possam aproveitar o conhecimento tecnológico nesse campo para avançar nas carreiras. É um caminho para as empresas também treinarem seus profissionais mais rapidamente, garantindo resultados o quanto antes”.

 

O futuro é agora

             Não importa o tamanho de sua empresa, a I.A. afetará a todos. Para não ficar de fora dessa revolução, Leonardo Dias separou dicas importantes:

 

  • Primeiro passo: Investigar os dados existentes da companhia e trabalhá-los, muitas vezes, integrando com dados externos que possam ajudar a criar modelos preditivos mais precisos;
  • Mudanças: A integração e investigação dos dados podem afetar enormemente a capacidade das empresas de performar melhor, pois hoje muitas ainda operam no escuro e na intuição;
  • Resultados: As companhias irão operar com predições sobre o seu negócio de maneira similar à forma como a previsão meteorológica. A transformação digital promoverá melhores processos de qualidade, de vendas etc.

 

20º Congresso ANEFAC aborda inteligência artificial

 No período de 17 a 20 de maio, a ANEFAC realiza, em Porto de Galinhas, o seu 20º Congresso. Um evento nacional que acontece anualmente em sistema itinerante. Tradicional entre os executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, o evento aborda questões da economia mundial e antecipa temas chaves de interesse das diversas companhias.

Este ano, o tema escolhido é Inteligência Artificial – Impacto Social, Econômico e Político. Grandes players de mercado e convidados ilustres como o jornalista Fábio Pannunzio e o cientista e empreendedor Silvio Meira completam a programação.

A cobertura completa deste grande evento, as análises e impressões dos palestrantes e participantes, você confere na próxima edição!





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