REVISTA ANEFAC

Edição 193


O Brasil quer transparência

Ao completar 50 anos, entidade realiza o 22º Troféu Transparência ANEFAC®

O surgimento do Troféu Transparência ANEFAC® - Prêmio ANEFAC - FIPECAFI - SERASA EXPERIAN - marcou o mercado brasileiro e passou a balizar a transparência nas empresas. É um incentivo ao aprimoramento das demonstrações financeiras. Ao completar 50 anos de história da ANEFAC, a premiação, reforçada pela credibilidade da entidade e pela busca da transparência corporativa no Brasil, que pede transparência, se torna ainda mais relevante. “Hoje, o Troféu Transparência, o ‘Oscar da Contabilidade’ é uma referência, é o auge da excelência contábil de uma empresa, que está preocupada com a prestação de contas para a sociedade e entende que ganhar o Prêmio é um reconhecimento” explica Edmir Lopes de Carvalho, presidente da ANEFAC.

É importante reconhecer os bons exemplos na transparência contábil, os modelos positivos para o mercado. “Ganhar o Troféu coloca a empresa em um patamar acima”, analisa Amador Alonso Rodriguez, diretor de operações da Serasa Experian e presidente do Conselho de Administração da ANEFAC. Para a Serasa Experian, o Troféu Transparência ANEFAC®, organizado pela ANEFAC há 22 anos, é uma iniciativa que cria um ambiente de maior transparência nas empresas e aos órgãos públicos.

“O Troféu Transparência ANEFAC® desempenha um importante papel ao contribuir para o aperfeiçoamento, ano após ano, do processo de prestação de contas das empresas no país. O Prêmio é um excelente indicador de quais empresas devem ser consideradas como benchmarking na prestação de contas”, relata Fernando Alves, sócio-presidente da PwC Brasil. Nessa linha, Raul Corrêa da Silva, presidente da BDO no Brasil, acredita que iniciativas como essa, especialmente oriundas de entidades formadoras de opinião como a ANEFAC com 50 anos, são essenciais para que boas práticas sejam devidamente reconhecidas. “Empresas que contam com essa chancela servem de inspiração e referência para todo o mercado”, diz.

É uma iniciativa muito alinhada com os anseios da sociedade por um ambiente de negócios sempre mais justo e ético, o Troféu Transparência ANEFAC®, avalia Rogério Garcia, sócio de auditoria da KPMG no Brasil. “O incentivo à informação de qualidade e transparente traz consigo a busca contínua das empresas pela formação e atração dos melhores profissionais assim como a criação de estruturas de governança que supervisionem continuamente seus processos de relatórios financeiros”, observa.

Como vimos, a transparência tem sido, na visão de Claudio Camargo, sócio-líder de auditoria da EY Brasil, cada vez mais, uma condição de credibilidade para as empresas no mercado, seja por expectativa dos investidores, dos clientes ou de outros atores. “O reconhecimento das empresas-modelo formaliza e reforça essa tendência. Para se construir um legado, ética e transparência são fundamentais.

É cada vez mais importante demonstrar que a empresa opera com integridade”, relata. Concordando com esse pensamento, Marcelo Magalhães Fernandes, sócio-líder de auditoria da Deloitte, aponta que o Troféu Transparência ANEFAC® incentiva que as empresas queiram ser transparentes e almejem ganhar. “A transparência
gera confiabilidade, seja numa relação pessoal ou profissional, aproxima as pessoas, no caso das empresas que têm transparência se aproximam dos stakeholders, e não só dos investidores, mas com todos aqueles que têm relação com a empresa, clientes, fornecedores, na minha visão transparência agrega valor para as empresas e quem incentiva essa transparência também incentiva que as decisões tomadas tenham credibilidade. É importante que as empresas divulguem informações mais transparentes, que o mercado permeie essa cultura, assim como os órgãos reguladores, entidades e outros”, expõe. 

Evolução e transparência 

Atuar com transparência e, por consequência, transmitir confiança, são requisitos fundamentais para a permanência das empresas, de forma positiva, no mercado. Amador Rodriguez acredita que a elaboração das demonstrações seguindo os mesmos padrões técnicos hoje já aplicados pelo setor privado, lhes dará mais credibilidade uma vez que atenderá melhor seus principais interessados: a sociedade.

Para a EY, explica Claudio Camargo, em uma época de intenso combate à corrupção, regulamentações nacionais e internacionais mais exigentes e o aumento constante da expectativa do mercado por transparência nos negócios, ser transparente é mais importante que nunca. “Uma análise criteriosa sobre a qualidade da informação a ser incluída nas demonstrações financeiras de uma empresa permitirá a tomada de decisões mais informadas sobre investimento, assim como poderá contribuir para melhores custos de captação no mercado de capitais”, aponta Rogério Garcia.

A transparência tornou-se uma premissa para a atuação de qualquer empresa, avalia Raul Corrêa da Silva, que completa: mais do que alcançar credibilidade perante clientes, parceiros, fornecedores e investidores, a empresa com essa característica tem acesso facilitado a novas oportunidades de negócios, especialmente junto a mercados internacionais.

“Transparência é um pilar fundamental para os negócios, é importante não só na maneira como as empresas operam e apresentam seus resultados, mas, também, como um valor cada vez mais reconhecido pelas diversas partes interessadas nas performances das organizações”, destaca Fernando Alves. Rodriguez entende que todos os processos da empresa devem ser os impulsionadores da transparência.

Para ele, é importante que cada fato que ocorre na empresa, de caráter comercial, administrativo e de gestão seja balizado pela transparência para que a tenhamos expressa nas demonstrações contábeis, estendida à sua governança. Ao reforçar essa necessidade, Carvalho cita que num país que recentemente tem se desvendado como opera a máquina da corrupção entre o setor público e algumas empresas a transparência é o diferencial para aquelas que buscam o profissionalismo, a meritocracia e o comprometimento com o desenvolvimento do país, além do respeito aos brasileiros de um modo geral.

Para Alves, permitir a tomada de decisão baseada em informações confiáveis e prestar contas de suas atividades e do impacto por elas causado é fundamental para a sustentabilidade dos negócios no contexto de uma sociedade progressivamente mais atuante. Nessa mesma linha, segundo Camargo, as empresas que ainda não possuem políticas de transparência precisam se adaptar, pois houve um amadurecimento do mercado em relação à ética e à transparência, principalmente, diante dos escândalos de corrupção e das iniciativas para combatê-las.

“A transparência pressupõe controles rigorosos e a implantação de ferramentas que possibilitem uma rica e eficiente análise de dados. Sócios, CEOs e diretores também têm papel fundamental. Deve partir deles o exemplo para contaminar positivamente toda a equipe. Informação e comprometimento são as chaves para a transparência”, completa o presidente da BDO no Brasil. Para ele, a disseminação da importância da transparência entre as empresas brasileiras se deve as mudanças na legislação referente ao tema, muitas delas em razão de práticas inadequadas na administração das empresas, com reflexos contábeis duvidosos, permitiram uma mudança considerável nas práticas de transparência e, ainda, as próprias empresas do middle market que não são obrigadas a divulgar balanços constataram a importância de se enquadrar a esse novo cenário, sob pena de deixarem de ter relações comerciais com companhias de grande porte.

“Percebemos novos comportamentos das empresas em relação à ética e à transparência diante do cenário econômico, político e social, que moldaram situações difíceis que começam agora a retomar sua forma original. Mas o ambiente empresarial ainda está muito voltado à redução de custos e à preservação de caixa”, pondera o sócio líder da EY.

Dessa forma, Fernando Alves adverte: as empresas que não seguem as boas práticas de governança e que não desenvolvem uma cultura de transparência, inevitavelmente, terão sua reputação prejudicada e serão cada vez mais questionadas por seus stakeholders e se tornarão menos competitivas.  Em termos de boas práticas de governança, o sócio-presidente da PwC Brasil acredita que os dados financeiros continuarão a ter uma função importante e sendo constantemente aprimorados, refletindo a evolução de nossa sociedade.

“Se por um lado há um avanço exponencial de tecnologias e entrada de novos players, por outro, o acesso a capital, a gestão de pessoas, segurança da informação e a manutenção da relação com o mercado estão cada vez mais desafiadores”, avalia Claudio Camargo. “O mundo com o acesso a informação está mais globalizado, a China está logo ali, a internet facilita um ambiente para fazer negócios, sem caminhar para essa evolução de transparência, as empresas terão um espaço menor no mercado, sem transparência não há investimentos, e sem capital a empresa não cresce, sem isso não conquista o mercado. Para a empresa ser bem sucedida ela precisa caminhar para essa evolução, transparência gera credibilidade, então cada vez mais, num mundo globalizado, é impossível não ser transparente”, analisa Fernandes.

Para o sócio da Deloitte, o ingrediente para a empresa mudar essa cultura de não transparência, o alto comando precisa estar envolvido com a bandeira da transparência. “Porque se o gestor não acha importante todo o grupo não achará, e dali para frente sempre haverá a discussão em ser ou não transparente e isso irá nortear todas as ações para frente”, recomenda.

Legado para as empresas públicas e privadas

“Entendo que o legado deixado pela Operação Lava Jato no setor privado é de que a sociedade não tolera mais tanta corrupção. O risco é muito grande de uma empresa envolvida em meios ilícitos ter sua reputação questionada. Embora se tenha mostrado a ferida, entendo que abrimos uma nova fase para estancar a corrupção que devastava o país. Aposto que precisávamos passar por isso para estancar a “sangria”. Dias melhores virão”, aponta Carvalho.

Já quando se fala no nível de transparência nas empresas públicas e privadas, Silva ressalta que há diferenças. “Quando falamos do poder público, apesar de existirem controles internos e contabilidade, a necessidade de melhorar a transparência é lenta, por falta de poder de mobilização da própria população. No caso do poder público, a estrutura política atual e a desmobilização dos cidadãos comprometem os avanços. Já na iniciativa privada, os avanços são notórios. Mas talvez ainda haja necessidade de se criar uma cultura de transparência plena, desde o baixo escalão até a alta cúpula.

A ANEFAC tem levantado a bandeira da transparência pública, para o presidente da entidade, Edmir Lopes de Carvalho, infelizmente o nível de transparência nas empresas públicas e privadas não é o mesmo. “Embora temos tido avanços das Normas Contábeis (IPSAS) para o setor público, e consequentemente atuação exemplar do CFC e da STN, estamos muito longe da transparência e da prestação de contas por parte dos gestores públicos. Temos muito a evoluir. Creio que os cidadãos, de um modo geral, deveriam pressionar os governos (municipal, estadual e federal) para que a prestação de contas de forma transparente deveria ser o mínimo para a sociedade”, aponta.

Para Camargo, não deve existir diferença entre as políticas de transparência nas empresas públicas e privadas. “A base é a mesma e todas precisam passar pelo mesmo processo e análise”, diz. Garcia acredita que estamos vendo no Brasil um aprimoramento progressivo e relevante na transparência das empresas brasileiras. “Tivemos passos muito importantes neste caminho, especialmente com a adoção das normas internacionais de contabilidade que tornou as informações destas empresas comparáveis aos seus pares internacionais”, avalia.

Precisamos estar atentos, defende o sócio-líder de auditoria da Deloitte. “O mundo tem uma percepção de que o Brasil não é transparente, o país caiu no ranking dos mais transparentes, a situação piorou, ao mesmo tempo que evoluímos, essa percepção se espalha. O investidor, que está fora, pode ser contaminado”, analisa. 






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