REVISTA ANEFAC

Edição 181 Março/Abril


Administração

Planejar e gerir patrimônio familiar é uma arte praticada no dia a dia

Planejamento familiar permite governança do negócio com vistas à transição para gerações futuras

Por Jennifer Almeida

“O planejamento patrimonial representa um facilitador na gestão patrimonial e na coordenação de sua transferência de geração a geração, permitindo que cada família, a seu tempo, possa preparar a sua governança familiar”, define Ronaldo Corrêa Martins, sócio-fundador do escritório Ronaldo Martins & Advogados. É cada vez mais comum que as famílias optem por fazer este planejamento com a intenção de garantir proteção e longevidade ao negócio familiar, evitando colocá-lo em risco no caso de aposentadoria ou falecimento dos fundadores da empresa que está há anos no mercado. 

Para Martins, sem o devido planejamento a gestão patrimonial pode se transformar em uma árdua tarefa e colocar em risco tudo o que foi conquistado pelos antecessores, tendo em conta as complexidades da indústria bancária internacional e do ordenamento jurídico, principalmente sob os aspectos tributários e cíveis, que recaem sobre este processo. 

“As pessoas precisam entender e identificar quais são as ferramentas legais que permitem transmitir o patrimônio familiar para as gerações futuras”, acrescenta Rodrigo Alonso Martins, CEO e Head of Wealth Planning Strategies da Ripol Alliance Global Wealth Strategies, um multi-family office baseado em Miami. De acordo com ele, no mundo moderno os empreendedores e detentores de grandes fortunas têm à disposição estruturas jurídicas que permitem estabelecer um controle patrimonial com o objetivo de sua manutenção, preservação e transmissão às gerações futuras. 

Carlos Mendonça, sócio da PwC, alerta que as famílias que querem preservar sua riqueza precisam saber muito bem como administrar o portfólio. Para isso, ele sugere mapear onde está a indústria e para onde ela vai, fazendo uma análise criteriosa do negócio. “Elas têm que estar constantemente olhando para o negócio, verificar se ele tem futuro, qual é o momento certo de vender, quais são as alternativas, etc”, detalha.

Ronaldo Martins e Rodrigo Alonso alertam para os recorrentes conflitos de objetivos, principalmente entre diferentes gerações de uma família, que podem ficar mais evidentes na hora de se fazer o planejamento familiar. “Por essa razão, o mais importante é ter um profissional tecnicamente habilitado e capacitado para funcionar como um intermediador desses interesses conflitantes”, comenta Ronaldo Martins. 

Segundo ele, um dos objetivos deste profissional é estabelecer uma unidade macro familiar, que é a preservação do patrimônio da forma mais eficiente possível, alinhada com os objetivos de longo prazo. O envolvimento dos planejadores de riqueza e gestores patrimoniais é importante para desenvolver estratégias que possam acomodar os diferentes objetivos, muitas vezes desenvolvendo planejamentos que funcionem como o veículo de transição, ao longo do tempo, entre objetivos de uma primeira geração da família para as seguintes. 

Assim, Rodrigo Alonso esclarece que o fundamental é priorizar o aspecto técnico dos objetivos para que se tenha longevidade nas tomadas de decisão, evitando deixar que influências pessoais e de cunho emocional coloquem em risco a preservação do patrimônio. 

Riscos envolvidos
Entre os principais obstáculos envolvidos na gestão familiar, Mendonça, da PwC, aponta riscos de desapropriação, ciúmes e inveja entre os membros da família, além dos aspectos políticos e econômicos do país, que também influenciam o negócio. “A riqueza deve ser administrada de uma forma muito profissional e as pessoas devem entender os diversos riscos a que estão submetidos”, orienta. Ele sugere às famílias que fiquem atentas à gestão de portfólio e aos riscos de mercado. 
 
Para Ronaldo Martins, quando se trata de gestão patrimonial, na prática está se analisando e avaliando, em grande parte, como o patrimônio é mantido e usufruído pelos grupos familiares. Para tanto, é fundamental estabelecer critérios para preservação do patrimônio, como também a eficiência econômico-financeira desse universo patrimonial. “Um dos riscos mais comuns é a incorreta identificação e classificação de cada tipo de ativo que compõe o universo patrimonial, mensurando em cada um deles os riscos que oferecem pela sua própria natureza”, esclarece. Por exemplo, na composição global do patrimônio, ações/cotas de companhias operacionais fazem parte do patrimônio do grupo familiar, assim como recursos financeiros e aplicações financeiras. 

No entanto, Rodrigo Alonso lembra que ativos operacionais estão sujeitos a riscos relacionados aos negócios, enquanto os ativos financeiros estão sujeitos a erros da estratégia de alocação. “Muito embora tenham riscos diferentes, cada um deles, na sua especificidade, pode prejudicar diretamente os outros tipos de ativos se não for gerido da forma apropriada”, acrescenta. Por conta dessas diferenças, é recomendável contar com a assessoria de especialistas que conheçam os aspectos e características dos ativos para desenvolver estratégias específicas de contenção de riscos entre os diversos tipos de ativos.

Para Mendonça, também é comum a família se apegar muito ao negócio, mantendo-o pela tradição mesmo que ele esteja em um mercado em declínio. Ele cita como exemplo as fábricas de chapéu ou bengala, produtos muito utilizados no passado, mas menos recorrentes hoje em dia. “O apego emocional ao negócio pode ser um problema”, defende. Ele destaca ainda a necessidade de ter ao menos um gerador de riqueza por geração na família. “Se você não tiver um gerador de riqueza na família, o patrimônio vai sumindo à medida que o número de membros da família aumenta”, adverte. São comuns as retiradas de dinheiro do negócio, o que acaba por descapitalizá-lo.  

Na visão de Martins e Alonso, as famílias devem se planejar com tempo, envolvendo, na medida do possível, os membros do grupo familiar das diferentes gerações, e com bom amparo de profissionais qualificados nesse processo. “Assim, com tempo, é possível ter uma participação mais ativa do núcleo familiar e pode-se desenvolver de forma mais segura os mais diversos aspectos do planejamento patrimonial”, aponta Ronaldo Martins. Sendo assim, ele afirma que se dará início a construção de verdadeiras dinastias familiares, como costumeiramente se vê na Ásia, onde planejar e gerir o patrimônio familiar é uma arte praticada no dia a dia.




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